Olá a todos do blog mais uma vez =)

Nesse post resolvi falar sobre um assunto que vem ganhando força nos grupos de educadores musicais que participo.

Esse gira em torno de questionar e procurar esclarecer o senso comum que costuma enxergar a aula de música como um momento meramente recreativo, ignorando-se- o ‘real papel que essa tem na formação, sensibilização e desenvolvimento dos alunos.

Para falar sobre isso, acredito ser  importante refletirmos o que significa para cada um de nós – professores de música ou não – uma aula de música. Digo isso, porque é fácil cair no senso comum de que aula de música é para “cantar musiquinhas”, ou montar um coral para o dia das mães ou dos pais (atualmente algumas escolas estão substituindo esses dias pela ‘festa da família’), ou mesmo construir instrumentos musicais de sucata.

O que pra você significa uma aula de música? Quais serão as contribuições para a formação daquele indivíduo que uma aula de música trará? O que difere aula de música de um momento  apenas recreativo? Qualquer profissional da área de educação estaria apto a lecionar aulas de musicalização? Qual a formação ideal que um profissional dessa área deve ter?

Pois bem, a grosso modo, um profissional que trabalha com recreação infantil, ou recreacionista, em geral não possui um plano pedagógico em sua estratégia de ação com crianças. Esse profissional pode atuar tanto dentro de escolas como mais comumente em eventos como casamentos, buffet infantis, festas de aniversário, colônia de férias, condomínios, clubes dentre outros. O plano de ação desse profissional está ligado ao entretenimento, jogos, brincadeiras sem que haja um vínculo e plano de ação a longo prazo visando por exemplo desenvolver competências específicas. Esse profissional geralmente é contratado por evento ou temporada – embora algumas escolas já tenham profissionais dessa área – onde já existem  cursos para capacitar  interessados em atuar nessa profissão e diversos sites para interessados em contratar uma empresa de recreação.

Por outro lado, o professor de musicalização, além de uma formação superior que em geral é exigida (veja mais sobre isso no post Licenciatura em Música – sobre o curso)  esse possui uma possibilidade de atuação em diversos meios que não só o escolar. Suas aulas, assim como qualquer matéria, devem ter um plano pedagógico que leve em consideração aquilo  que seu local de trabalho busca, a faixa etária, as capacidades físicas, motoras e cognitivas de seus alunos, de forma que cada atividade possua um objetivo a ser alcançado a pequeno, médio e longo prazo. Outra questão importante é o vínculo que o professor de música – assim como os demais professores – estabelece com seus alunos. Um recreacionista de eventos por exemplo, deve se preocupar em cativar as crianças durante o período que estiver com elas, o que diferentemente, para um educador musical deve ser algo a ser cultivado a cada aula.

Não é raro ver professores de educação infantil que fazem cursos de recreação e atuam com isso dentro das escolas. E acredito ser nesse ponto que a confusão entre ser professor ou ser recreador acontece.

Recentemente nas minhas pesquisas da internet, vi um video onde um profissional de educação se propunha a ensinar  como dar aulas de música mesmo que você não soubesse tocar nenhum instrumento ou não tivesse conhecimentos básicos de música. ISSO É MUITO GRAVE!

Ser professor de música, definitivamente não é cantar músicas de ocasião com nossos alunos. Dependendo da faixa etária o canto assume diferentes funções como acolher, apresentar instrumentos, trabalhar grave e agudo, estabelecer vínculo afetivo, trabalhar afinação, solfejo, dentre tantas outras possibilidades. Sim, é importante saber (ainda que o mínimo) sobre a voz infantil a fim de evitar lesões (cantar alto é diferente de cantar forte!) ou mesmo evitar que vícios de difíceis de corrigir posteriormente. Existem técnicas, analogias que se pode fazer, jogos e  brincadeiras para trabalhar todas essas questões. Um recreacionista não sabe (nem é obrigação saber!) todas essas questões.

No meu ponto de vista, o professor de música deve sim, saber tocar ao menos um instrumento. Isso é muito importante. TOCAR INSTRUMENTOS DE VERDADE!

Hoje a internet nos possibilita encontrar muitas músicas em MP3 e atividades destinadas as aulas de musicalização. Mas isso não pode substituir que os alunos tenham contato com instrumentos como violão, flauta, teclado, ukulele, tambores dentre tantos outros. É importante que os alunos vejam seu professor tocando (isso estimula que ele se interesse em aprender algum instrumento por exemplo), e quebra o tabu de que “se tocar vai desafinar”. Nesse caso, cabe ao professor orientar em como segurar uma flauta ou violão por exemplo.

Se em seu local de trabalho não há instrumentos e se esse não está disposto a comprar, recomendo que você adquira seus próprios instrumentos de trabalho (começar com o ukulelê nas aulas pode ajudar muito, pois é instrumento pequeno e de fácil acesso, veja um vídeo do também educador Marcelo Serralva falando sobre aqui).

Acredito ser essa forma de abordagem que diferencia o professor de música do recreador. É claro que o professor de música deve, assim como um recreacionista, ter a capacidade cativar, brincar, gostar de crianças e ser proativo nas aulas. Porém é importante que coloquemos nossos alunos em contato com a música em sua forma mais orgânica e menos “pronta” para como se diz popularmente “encher linguiça” ou tapar buracos nos horários da escola.

Importante:

Se você tem filhos em idade escolar, questione a escola sobre as aulas de música (assim como as outras matérias também). Procure saber quem é o profissional, sua formação e forma de atuação nas aulas. Lembre-se: aula de música não é momento meramente recreativo e sim de formação e desenvolvimento!

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